E ele sempre tão calado, tão para si.
Tinha a testa franzida e a Mariana não sabia se lhe devia perguntar o que se passava ou se simplesmente o devia deixar com os seus pensamentos.
Ela lia uma revista qualquer ao pé da janela, um dia cinzento é um dia cinzento, mas sabia-lhe tão bem estar em casa a ler algo, ao pé dele (ainda que ele estivesse longe, distante).
Ele sai da sala, vai para a cozinha, volta, tira a sweatshirt, fica em t-shirt, parece ter calor (que homem tão quente, pensa ela). Fica no meio da sala, a pensar em algo, mas está sozinho, não vê a Mariana, não a vê porque está preocupado com alguma coisa, Mariana sabe que todos temos dias, tal como o Luís tem os seus. Volta para a cozinha, mas dá um enorme suspiro, e leva a mão, enquanto anda, ao pescoço. Está tenso, pensa mariana.
Levanta-se e vai espreitá-lo. Está apoiado, com os dois braços na bancada da cozinha, branca (alva?), a cabeça pendente e os olhos fechados. Outro suspiro.
Digo, não digo? Faz um movimento em direcção a ele, mas depois pára. Não sabe se é correcto, não o quer chatear (às vezes Mariana gostava de ser menos preocupada com o que os outros pensam dela, mas ela é assim, ela é assim).
Finalmente decide-se. Não sabe se é certo, não sabe se devia, não sabe se a relação está forte o suficiente para que ela faça o que vai fazer, mas com todas as inseguranças que uma mulher pode ter ela vai em direcção a ele. Para ao pé dele. Ele nota-a, sorri-lhe, tristemente, mas sorri-lhe. Luz verde, as inseguranças foram pelo cano a baixo, vem a força, a força que lhe levanta os braços, a faz aproximar-se por detrás dele e lhe faz dar um abraço gigante e terno. Um abraço. Mais nada. E ele, gentil, agarra-lhe os braços e ficam assim.
Porque às vezes não é o que se diz, tão pouco o que não se diz, mas o que se faz para ajudar o outro e se às vezes não há nada que possamos fazer é nessas alturas que um abraço, daqueles que nos amam faz toda a diferença. Vale muito mais que mil palavras, que mil perguntas, que mil conselhos. Vale mais, muito mais.
(e ele, depois de muito tempo, pega-lhe na mão e beija-a).
Tinha a testa franzida e a Mariana não sabia se lhe devia perguntar o que se passava ou se simplesmente o devia deixar com os seus pensamentos.
Ela lia uma revista qualquer ao pé da janela, um dia cinzento é um dia cinzento, mas sabia-lhe tão bem estar em casa a ler algo, ao pé dele (ainda que ele estivesse longe, distante).
Ele sai da sala, vai para a cozinha, volta, tira a sweatshirt, fica em t-shirt, parece ter calor (que homem tão quente, pensa ela). Fica no meio da sala, a pensar em algo, mas está sozinho, não vê a Mariana, não a vê porque está preocupado com alguma coisa, Mariana sabe que todos temos dias, tal como o Luís tem os seus. Volta para a cozinha, mas dá um enorme suspiro, e leva a mão, enquanto anda, ao pescoço. Está tenso, pensa mariana.
Levanta-se e vai espreitá-lo. Está apoiado, com os dois braços na bancada da cozinha, branca (alva?), a cabeça pendente e os olhos fechados. Outro suspiro.
Digo, não digo? Faz um movimento em direcção a ele, mas depois pára. Não sabe se é correcto, não o quer chatear (às vezes Mariana gostava de ser menos preocupada com o que os outros pensam dela, mas ela é assim, ela é assim).
Finalmente decide-se. Não sabe se é certo, não sabe se devia, não sabe se a relação está forte o suficiente para que ela faça o que vai fazer, mas com todas as inseguranças que uma mulher pode ter ela vai em direcção a ele. Para ao pé dele. Ele nota-a, sorri-lhe, tristemente, mas sorri-lhe. Luz verde, as inseguranças foram pelo cano a baixo, vem a força, a força que lhe levanta os braços, a faz aproximar-se por detrás dele e lhe faz dar um abraço gigante e terno. Um abraço. Mais nada. E ele, gentil, agarra-lhe os braços e ficam assim.
Porque às vezes não é o que se diz, tão pouco o que não se diz, mas o que se faz para ajudar o outro e se às vezes não há nada que possamos fazer é nessas alturas que um abraço, daqueles que nos amam faz toda a diferença. Vale muito mais que mil palavras, que mil perguntas, que mil conselhos. Vale mais, muito mais.
(e ele, depois de muito tempo, pega-lhe na mão e beija-a).
