sábado, 28 de Novembro de 2009

o abraço

E ele sempre tão calado, tão para si.
Tinha a testa franzida e a Mariana não sabia se lhe devia perguntar o que se passava ou se simplesmente o devia deixar com os seus pensamentos.
Ela lia uma revista qualquer ao pé da janela, um dia cinzento é um dia cinzento, mas sabia-lhe tão bem estar em casa a ler algo, ao pé dele (ainda que ele estivesse longe, distante).
Ele sai da sala, vai para a cozinha, volta, tira a sweatshirt, fica em t-shirt, parece ter calor (que homem tão quente, pensa ela). Fica no meio da sala, a pensar em algo, mas está sozinho, não vê a Mariana, não a vê porque está preocupado com alguma coisa, Mariana sabe que todos temos dias, tal como o Luís tem os seus. Volta para a cozinha, mas dá um enorme suspiro, e leva a mão, enquanto anda, ao pescoço. Está tenso, pensa mariana.
Levanta-se e vai espreitá-lo. Está apoiado, com os dois braços na bancada da cozinha, branca (alva?), a cabeça pendente e os olhos fechados. Outro suspiro.
Digo, não digo? Faz um movimento em direcção a ele, mas depois pára. Não sabe se é correcto, não o quer chatear (às vezes Mariana gostava de ser menos preocupada com o que os outros pensam dela, mas ela é assim, ela é assim).
Finalmente decide-se. Não sabe se é certo, não sabe se devia, não sabe se a relação está forte o suficiente para que ela faça o que vai fazer, mas com todas as inseguranças que uma mulher pode ter ela vai em direcção a ele. Para ao pé dele. Ele nota-a, sorri-lhe, tristemente, mas sorri-lhe. Luz verde, as inseguranças foram pelo cano a baixo, vem a força, a força que lhe levanta os braços, a faz aproximar-se por detrás dele e lhe faz dar um abraço gigante e terno. Um abraço. Mais nada. E ele, gentil, agarra-lhe os braços e ficam assim.
Porque às vezes não é o que se diz, tão pouco o que não se diz, mas o que se faz para ajudar o outro e se às vezes não há nada que possamos fazer é nessas alturas que um abraço, daqueles que nos amam faz toda a diferença. Vale muito mais que mil palavras, que mil perguntas, que mil conselhos. Vale mais, muito mais.

(e ele, depois de muito tempo, pega-lhe na mão e beija-a).

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

aqui e aí, passado e presente

Estava a ver fotos de Vila Nova de Mil Fontes e depois olhei lá para fora (o meu quarto tem uma grande janela) e
a tristeza
caiu.
Bateu.

Assim, sem pedir licença, sem avisar.

domingo, 15 de Novembro de 2009

música



Sara Bereilles - Gravity

Ouvi esta música num outro blog e adorei, por isso decidi partilhar.

Enjoy!

sábado, 14 de Novembro de 2009

morder

E um suspiro longo, um misto de dor ou surpresa, ela não sabe, surgiu da boca dele.
Um sobrolho levantado – morder?

E ela, um sorriso à Lolita mostra-lhe que sim, morder.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

limpar os ouvidos com cotonetes ajuda

Às vezes esqueço-me que se calhar não o disse às pessoas. Ou então, a minha memória está realmente boa, mas são as pessoas que não ouvem! Se calhar é mais isso.
Mas, para quem ainda não sabe, se esqueceu ou sei lá o quê, aqui vai: eu já não volto para Portugal em Dezembro. Sim, vou aí pelo Natal, mas volto. Comprei um bilhete de ida e volta ok? Portanto, adeus Portugal, olá vida de emigrante!!
Bem-haja gente fofa

piano, pianinho

A minha vizinha de baixo toca piano.
A minha vizinha de baixo toca muito bem piano.
A minha vizinha de baixo tocou hoje uma música que me fez sorrir, depois sonhar e, finalmente, quase chorar.
E é isto!
PS: eu antes de falar com a minha flatmate achei que podia ser um homem e já estava a construir grandes fantasias. Quando soube que era mulher perdeu metade da graça...

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

resumindo

Então, mas oh Ana, estás viva? Perguntam vocês, gente que se preocupa (e querida, já agora!).

Estou pois!

E como não tenho muito tempo, digo de uma assentada o que me tem acontecido ultimamente:

1. Ganhei, no campeonato de karate, o kumite e fiquei em segundo na kata (e o que é isso de kumite e kata? Ide procurar!)

2. Mudei de casa outra vez. Agora moro com gente, antes sozinha. No último dia no meu apartamento fartei-me de chorar, talvez porque (me) seja difícil deixar os sítios onde fomos felizes.

3. Aqui tenho amigos porreiros. Gente que se levanta relativamente cedo num sábado para me ajudar e ainda por cima está disposta a carregar coisas pesadas até um terceiro andar. Quando a família está longe, estas pessoas são aquelas que nos aquecem o coração!

4. A confiança em mim mesma, seja em termos profissionais ou pessoais, tem vida própria. Sou escrava desta confiança que me faz ter coragem para dizer coisas às pessoas certas no trabalho, preparar relatórios com brio, não ter medo de arriscar e de dizer que não se sei fazer algo. Imaginem, até, que esta confiança me escraviza em termos de roupa, pois quando estou para aí virada a roupa é mais sensual, os sapatos altos são usados e o sorriso maroto nasce-me sem esforço.

5. Tenho saudades de Portugal, mas não tantas como esperava ter...

Adeus e até à próxima!